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1º Encontro Nacional reúne 10 mil motociclistas em Teresópolis

Texto: Georgia Jahara e Daniella Pinheiro

Jaquetas, coletes, calças de couro, bandanas, luvas, botas, óculos escuros. Muito rock´n roll nas veias e, acima de tudo, muitos roncos de motores. Durante três dias, este foi o espírito que habitou Teresópolis, durante o I Encontro Nacional de Motociclistas, que reuniu na Praça Governador Portella quase cinco mil motos e cerca de 10 mil motociclistas, vindos de todo canto do Brasil. Promovido pelo Águias da Serra Teresópolis Motogrupo, com apoio da Prefeitura, o evento, nos dias 22, 23 e 24 de outubro, foi considerado um grande sucesso.

“Mais uma vez, defendo a realização de eventos de qualidade como ferramenta para o desenvolvimento turístico de Teresópolis. Tivemos aqui 10 mil visitantes, vindos de cidades vizinhas e de outros estados, como Minas, São Paulo, Paraná, Pernambuco e até Amazonas. São pessoas que consumiram e, portanto, movimentaram a nossa economia. Além disso, são 10 mil pessoas que vão divulgar Teresópolis em todo o Brasil. Por isso, a nossa satisfação em promover este e outros eventos”, comemora o prefeito Roberto Petto.

O primeiro dia de evento foi dedicado praticamente à chegada e às inscrições dos participantes. Mas a agitação na Praça Governador Portela já chamava a atenção de curiosos e, claro, dos amantes da vida sobre duas rodas. Rodrigo Damázio e Valéria Rodrigues, que moram no bairro de São Pedro, foram alguns dos primeiros a conferir os estandes que vendiam assessórios para motos e motociclistas. “É muito bacana poder ver, aqui na nossa cidade, modelos tão diferentes de verdadeiras máquinas”, comenta Rodrigo, impressionado.

À noite, os shows das bandas Likan e Caça Níqueis fizeram motociclistas e visitantes relembrarem os velhos tempos ao som de muito rock´n roll, principalmente de bandas consagradas dos anos 70, como Led Zepellin, The Doors e Rolling Stones. Contrariando as previsões de chuva para o fim de semana, céu estrelado com lua completava a harmonia do Encontro de Motociclistas.

No sábado, principal dia do evento, a movimentação começou cedo na Praça Governador Portella. Por conta do grande número de motos, a Avenida Feliciano Sodré, sentido Centro-Alto, ficou fechada o dia todo, no trecho em frente à Prefeitura, com o trânsito sendo desviado pela Rua Carmela Dutra. E, no lugar do tráfego habitual, um grande desfile de máquinas, das marcas BMW, Honda, Suzuki, Harley Davidson, KTM e Kawasaki, dos mais variados modelos, além dos muitos triciclos. Para se ter uma idéia, havia motos de R$ 2 mil a R$ 150 mil. Um dos principais momentos foi a motociata – passeio das motos pelas ruas da cidade –, que saiu da Praça Governador Portella às 16h30.

À noite, outros dois shows e garantia de mais animação. A Banda Eu fez um retrocesso aos anos 70, e apresentou sucessos de Gloria Gaynor, Village People, Rita Lee e Frenéticas, entre outros. E, em seguida, mais uma sessão de puro rock´n roll com os Caça Níqueis. O domingo foi dedicado às despedidas, com direito a café da manhã – servido também no sábado – e um churrasco de confraternização, que encerrou o evento.

Para a grande maioria dos motociclistas, o objetivo destes encontros é dividir o gosto pelos passeios, pelas viagens e curtir as novas amizades. O diretor do Águias da Serra, Dorgil Lopes, conta que participa de uma média de três a quatro encontros por mês, e que Macaé é seu próximo destino. “Conhecer novos lugares e pessoas diferentes é o mais legal disso tudo”, afirma.

É o caso também do trio carioca que subiu a serra especialmente para o encontro. O fiscal Luiz D´Ouro, o vendedor Roberto Lomeu – o Geléia – e o fabricante de mini-motos, Délio de Oliveira, estão presentes em todos os eventos de motociclistas que acontecem, principalmente nas redondezas do Rio de Janeiro. Dois deles já conheciam Teresópolis e apresentaram ao amigo as belezas naturais da cidade serrana.

A organização do encontro foi motivo de elogios entre os participantes. O motociclista Marcos Vieira, integrante do Stand do Som Motoclube, veio diretamente de Saquarema para Teresópolis e não se arrependeu. “Participo de encontros há cinco anos e achei o de Teresópolis muito bem organizado, com atrações e público muito bons. Para um primeiro encontro, está excelente”, disse. Marcos não veio sozinho. De carro, acompanhando tudo de perto, vieram a mulher Alessandra e o filho Harry, de um ano e cinco meses, que já começa a se acostumar com o mundo das motos. “Ele praticamente nasceu em um encontro em Miguel Pereira e nos acompanha sempre em todos os eventos. Vai crescer assim”, acrescentou.

Tácio Sampaio foi outro que não se decepcionou. Integrante do Recife Motoclube, ele viajou 2.500 quilômetros , pilotando sua BMW 1.200 CL Touring, de 350 kg . “O principal é justamente a viagem. É a melhor parte. Sempre vale a pena. E aqui valeu mais ainda. O encontro foi muito bom, os organizadores nos receberam muito bem. E, além disso, Teresópolis é uma cidade maravilhosa, com clima delicioso e povo muito simpático”. Garfield Gomes, do Kamikaze Moto Clube, de Santa Cruz, concorda. “Estou há oito anos na estrada, já fui há dezenas de encontros e este, sem dúvida, foi muito bom”.

Com dois anos de existência, essa foi a estréia do motogrupo Águias da Serra na organização de um encontro de motociclistas – o primeiro de abrangência nacional em Teresópolis. “Para mim, o evento foi um sucesso. De cada 20 pessoas com quem conversei, 19 elogiaram o encontro. Fizemos uma boa divulgação e o resultado positivo é inegável. Hoje estamos consolidados como grupo para promover um evento desse porte, que felizmente torna-se cada vez mais familiar”, analisa o presidente do Águias da Serra, Antônio Carlos Moura.

O evento teve ainda distribuição de troféus de participação, entregues aos 330 motoclubes presentes. “O troféu é uma tradição nos encontros. Para quem promove, uma forma de prestigiar os visitantes. Para quem recebe, uma prova de que esteve em mais um encontro de motociclistas”, explica Moura, esclarecendo ainda um equívoco comum, porém imperdoável no meio: nunca chame um motociclista de motoqueiro, são definições completamente diferentes. “Nós, motociclistas, somos responsáveis e respeitamos as leis de trânsito”, acrescenta.

Truck Art Bar

Novidade no Encontro Nacional de Teresópolis, o Truck Art Bar foi um show à parte. O caminhão transformado em bar temático, que circula nos maiores encontros do país, chamou a atenção de curiosos e visitantes. O paranaense Roberto Trajano, proprietário do “estabelecimento”, conta como tudo funciona. “Participo de encontros há sete anos. Montei o caminhão há quatro e hoje ele é minha casa. Viajo por todo o país, de encontro em encontro e não troco esta vida por nada. Hoje, estou aqui, neste encontro que, por sinal, foi excelente e, daqui a alguns dias, estarei em Macaé. Depois , em outro encontro e assim por diante”.

E, em se tratando de comércio, mesmo quem não montou um caminhão na praça, não teve do que reclamar. Proprietários de um bar, Roberto Gonçalves e Vânia de Deus montaram um estande no evento e defendem a oportunidade como incremento nas vendas e divulgação do negócio. “Dessa forma, participamos diretamente da atividade turística do município”.

Abaixo alguns registros do evento:

 

 
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